Quanto amo, Senhor, a vossa lei!
Nela medito todo o dia.
Vós me fizestes mais sábio que meus inimigos,
porque tenho sempre comigo os vossos mandamentos.
Evangelho
Começamos hoje a ler, de maneira continua, o Evangelho de S. Lucas. O Senhor começa a pregação na sua terra, Nazaré, e numa celebração litúrgica do sábado. Podemos verificar aqui os elementos fundamentais dessa celebração, em uso já na Sinagoga: Leitura da Lei, depois dos Profetas, depois a homilia. Jesus apresenta-Se como Aquele que Deus ungiu com o seu Espírito e enviou a anunciar a boa nova. Infelizmente os seus conterrâneos não O souberam compreender!
Homilia
Temos em S. Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja, a prova cabal de que um cristão dedicado à contemplação e à vida interior tende, como por necessidade, a ser também um bom pastor, prudente e zeloso na condução espiritual das outras almas, mas não vice-versa. Noutras palavras, quem não reza nem se preocupa em conhecer e amar a Deus na oração jamais será verdadeiro apóstolo; seus afãs pastorais não serão mais do que simples agitação externa, desprovida daquela riqueza interior de graças e virtudes sem a qual acabamos vivendo um cristianismo de fachada. É no encontro diário com Deus, no silêncio da oração íntima, que Ele nos quer transformar, moldar à imagem de Cristo, Pastor eterno, e conferir ao nosso apostolado a eficácia que, sem esse recolhimento constante, teria pouco ou nenhum valor, como as fainas ansiosas de uma Marta inquieta (cf. Lc 10, 41).