Homilia

Na comunidade cristã, a vida de relação é de importância fundamental. Os outros são sempre o nosso “Próximo”, mesmo quando distantes. Por isso, eles hão-de ser sempre o objecto do nosso amor, que os há-de socorrer nas dificuldades e nunca deixar que sejam por nós, de qualquer modo, ofendidos. O escândalo é sempre pecado contra o amor devido ao próximo. 

Homilia

No Evangelho de ontem, o Senhor tentara ensinar aos discípulos a humildade, exortando-os a buscar, não os primeiros, mas os últimos lugares: porque, se entre os governantes deste mundo há contendas e dissídios sobre o poder, na Igreja de Cristo, pelo contrário, deve primar o interesse por servir aos demais e ser o menor de todos. O Evangelho de hoje dá continuidade a esse mesmo episódio. Logo nos primeiros versículos, vemos que os discípulos, como de costume, nada entenderam do que lhes havia dito Jesus, e isto se depreende das palavras um tanto arrogantes do Apóstolo João: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós”, que nos julgamos os únicos detentores legítimos da graça, “o proibimos, porque ele não nos segue”.

Homilia

O Evangelho de hoje narra-nos o segundo anúncio da Paixão. Jesus, como temos visto ao longo dos últimos dias, vem tentando fazer com que seus discípulos o descubram na fé, e mesmo após conseguir, em Cesareia de Filipe, que Pedro o professasse como o Filho de Deus, os Doze voltam a cair em incredulidade: Pedro, por ter a fé ainda frágil e incerta, os outros, por também serem incapazes de compreender a cruz e tudo o que diz respeito à Paixão do Filho do Homem. Hoje, eles chegam finalmente a Cafarnaum, na Galileia, depois de uma longa viagem pelo norte de Israel. Ao entrarem em casa, o Senhor pergunta aos discípulos: “Que discutíeis pelo caminho?”, pois sabia que haviam discutido sobre quem seria o maior no Reino de Deus.

Homilia

Cristo, após ter-se transfigurado no Tabor, desce hoje da montanha e encontra lá embaixo uma humanidade desfigurada: de um lado, um menino possesso de um demônio que o deixa surdo e mudo; de outro, o pai da criança desesperado e quase a perder a pouca fé que tinha. Os discípulos que haviam permanecido ao pé do monte fizeram tudo o que podiam para livrar o menino do espírito maligno, mas nada conseguiram; daí a queixa do pai e o desabafo de Cristo, espantado com a falta de fé de um e de outros: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei de suportar-vos?”